Wandi Doratiotto

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"Minha nega, meu nego"

 

"E tudo começou... Nossa preocupação primeira era com a qualidade do musical que iria rolar..." 

Ano 1991. Começava. 

- Wandi, você topa apresentar um programa de chorinho aos domingos de manhã no Campus da Cidade Universitária? Era a Silvina.Uma produtora musical da TV Cultura. 

- Vamos conversar, disse. 

Desliguei e fiquei pensando. Apresentar um programa de música na TV Cultura pode ser o máximo. Vinha querendo fazer alguma coisa por aí... Mas, apesar de amar determinados choros compostos por músicos geniais e por também tocar no PREME (Premeditando o Breque, conjunto musical do qual faço parte até hoje) choros de Pixinguinha, K-Ximbinho, Jacob do Bandolim, Chiquinha Gonzaga, etc., bem como composições do gênero feitas pelo Grupo, fiquei um pouco apreensivo. Sempre tive grande interesse por um pop underground mais destrambelhado e experimental e achei que ficar só no chorinho faltaria entusiasmo. Por outro lado, recusar seria vacilo forte. Topei. 

Muita água rolou. Conversamos quilômetros – basicamente o André Barbosa Filho, que viria a ser o 1º diretor do programa, e eu. Assim como eu, o André também era músico. Nossa preocupação primeira era com a qualidade do musical que iria rolar. Fomos para a noite onde o som acontecia. Observamos, conversamos, ponderamos, trocamos idéias com gente do meio, produtores, músicos, donos de bar, etc. Formatamos um programa cujo centro seria o respeito pela música instrumental com a presença de dois grupos de choro (Isaías e seus Chorões e Evandro e seu Regional), que revezariam junto com o artista convidado, e a presença de cantores, compositores, intérpretes que não estivessem necessariamente em evidência na tal da mídia. No entanto nada seria pesado ou reverente. Tinha que rolar solto. Minhas entradas deveriam ser tranquilas e complementares. Gostei da coisa! Acho que me dei bem. Tinha (e tenho) sempre o cuidado de não querer ser maior que o convidado. Pegar leve. Saber o máximo possível sobre o entrevistado e ter educação. Sobretudo saber ouvir. 

É certo que fomos melhorando. Usando o espaço com mais categoria. Informando, inventando... Mas a grande vedete do programa BEM BRASIL sempre foi e será a música, não a televisão. Sempre me lembrava dos magníficos festivais da Record que expunham os artista numa vitrine generosa e cristalina. Era aquilo o grande barato. 

Com o tempo fomos abrindo muito o leque. O compromisso com o choro foi diminuindo, para tristeza de muitos, e fomos seguindo numa praia mais moderna, contemporânea. É mais ou menos o que rola até hoje. 

Um público muito maior passou a acompanhar o B.B. ficando a par de todas as novidades e vindo a colaborar com o programa dando dicas e sugestões. Só alegria! 

Muita gente não sabe que começamos na USP, como disse no começo, onde ficamos até 1994 quando viemos a fazer uma parceria muito bacana com o SESC Interlagos e lá estamos até hoje. 

Preciso lembrar uma coisa: O BEM BRASIL é feito por muita gente. Nossa equipe técnica é D+! 

Luz, câmeras, figurino, maquiagem, motoristas, faxineiros do SESC, pessoal da infra do camarim, etc. Uma gente fina que adora o programa e me trata muito bem. 

A produção, com o auxilio luxuoso dos estagiários, é o coração do programa. Concluo destacando dois caras fundamentais para o sucesso do B.B.: são os produtores Marcelo e Carlinhos, profissionais que ralam a semana toda segurando barras às vezes bem pesadas. 

Bom, minha nega, meu nego, justificando tudo isso e dando o calor e o vigor necessários pra que um programa ao vivo aconteça, temos vocês o querido público!!! 

Um abraço, 


Wandi Doratiotto

25/9/2002