Wandi Doratiotto

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Conhecem o Sinhô?


E aí, turma, tudo em ordem?

Hoje vou falar um pouco sobre o mais popular compositor de samba das primeiras décadas do século XX: José Barbosa da Silva o “Sinhô”.

Sinhô era um autodidata que tocava piano sem conhecer música formal. Tinha uma intuição danada; era antenado com tudo que acontecia em sua época e acabou colocando nos seus sambas essa vivência traduzida em rixas ferozes com artistas como Pixinguinha, Wilson Batista, Heitor dos Prazeres. Falava também das relações amorosas, críticas sociais e dinheiro. Compôs muita música para Mario Reis (a quem deu aula de violão), Francisco Alves, Carmen Miranda, Aracy Cortes. Algumas músicas de sua autoria fizeram muito sucesso: “Pé de Anjo”; “”Gosto que me Enrosco”(que Heitor dos Prazeres dizia ter sido roubada do seu repertório); “Jura”, e muitas outras. Era freqüente naquela época compositores disputarem autorias de músicas que supostamente tinham sido roubadas. Isso fez com que o bem humorado Sinhô cunhasse a seguinte frase: “Samba é como passarinho. É de quem pegar”.

Apesar de seu aparente descuido com a profissão, Sinhô era muito consciente do seu trabalho de compositor. Ele criou uma espécie de “jabá” ao pagar músicos de baile para que tocassem suas músicas. Também contava com um grupo de músicos que tocava suas composições de carnaval antes do grande evento começar. Isso fazia com que seu repertório ficasse bastante conhecido. Sinhô foi o primeiro autor a exigir um carimbo em partituras de suas músicas consolidando a autoria. Criou também uma assinatura personalizada nos discos que traziam suas obras. O homem era futurista!

Sinhô foi o maior divulgador do samba urbano naqueles primórdios, segundo o pesquisador carioca André Diniz.
O poeta Manuel Bandeira sintetiza muito bem a história desse brasileiro sagaz que foi Sinhô:
“Ele era o traço mais expressivo ligando os poetas, os artistas, a sociedade fina e culta às camadas profundas da ralé urbana”.

Considero de grande importância para as novas gerações tomarem conhecimento desses artistas geniais que o Brasil produziu com todas as adversidades da época. Criadores que tiveram grande influência na obra de artistas contemporâneos como Paulinho da Viola e Chico Buarque de Hollanda, para citarmos apenas dois dos maiores.
Por hoje é só, um abraço e...

PAAAALCOOOO!!!

 

Wandi Doratiotto

24/7/2006