Wandi Doratiotto

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Lixeiros, crianças e árvores


Manoel de Barros é um poeta pantaneiro, octogenário e notável. Depois de maduro ele enveredou pelo interior das inutilidades, das coisas sem importância aparente. 

No último domingo de setembro, dia 29, o cantor e compositor Chico César esteve no Bem Brasil. O Chico é velho amigo da casa. É bom lembrar que quando o levamos pela primeira vez ao palco do SESC Interlagos, praticamente ninguém o conhecia. Faço essa introdução para reforçar minha crença na vocação primeira do programa que é a de cacifar gente que está começando ou que já tem estrada mas a maioria das emissoras não convoca. O número de artistas que esteve no Bem Brasil quando ainda não era conhecido do grande público e hoje está consagrado, é muito grande. É claro que não considero o programa o responsável por esses artistas serem hoje bastante populares. Mas fizemos nosso papel. 

Por outro lado, quero falar de um poeta que, conforme disse ao Chico César no programa, é querido por ele e por mim. Trata-se do Manoel de Barros. Talvez o poeta mais importante em atividade no Brasil – ia escrever o mais importante, mas evito por não estar a par de toda a criação brasileira nessa área, evidentemente. Manoel de Barros é um poeta pantaneiro, octogenário e notável. Depois de maduro ele enveredou pelo interior das inutilidades, das coisas sem importância aparente e criou um mundo de emoções e descobertas que fascina e espanta. Para homenagear Chico César, li um poema de Manoel de Barros que entusiasmou muita gente. Como me perguntaram sobre o tal poema durante a semana seguinte, transcrevo-o aqui para vocês se deleitarem: 

O PALHAÇO 

Gostava só de lixeiros crianças e árvores Arrastava na rua por uma corda uma estrela suja. Vinha pingando oceano! Todo estragado de azul. 

Essa maravilha está no livro MATÉRIA DE POESIA, um dos vários escritos por esse poeta magistral. Para aqueles que gostam do Luiz Melodia, lembro que ele lançou seu mais recente CD com uma parceria de Manoel de Barros cujo poema deu nome ao trabalho: RETRATO DO ARTISTA QUANDO COISA, que também é título de um de seus livros. 

Um abraço a todos e PAAALCOOOO!!! 

7/10/2002